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O que são as más oclusões? Parte I: Má oclusão de Classe II

  • Foto do escritor: Érika Dias
    Érika Dias
  • 7 de jul. de 2024
  • 3 min de leitura



A má oclusão de Classe II descrita por Angle é caracterizada por uma discrepância de posição dentária, na qual os molares superiores encontram-se posicionados mesialmente aos molares inferiores. Segundo Proffit, a incidência dessa má oclusão varia de 35% a 42%, podendo atingir até 50% dos casos tratados na clínica ortodôntica. Apesar da indiscutível contribuição dessa classificação para o desenvolvimento da Ortodontia, a utilização de apenas esse dado limita a capacidade diagnóstica do profissional, podendo acarretar erros na decisão terapêutica e no resultado esperado. Desse modo, outros sinais devem ser observados para garantir um aporte suficiente de dados que permitam um diagnóstico adequado.  

  Assim, ao se deparar com um paciente classificado como portador de uma má oclusão de Classe II o primeiro ponto a se observar é se essa relação resulta de uma discrepância ântero-posterior maxilo-mandibular dentária e/ou esquelética. Adicionalmente devemos buscar se o erro pode ser resultado de uma protrusão maxilar, retrusão mandibular ou uma combinação desses fatores.  

Embora haja um empenho da literatura em caracterizar cefalometricamente a má oclusão de Classe II, um mesmo tipo de má oclusão pode se desenvolver nas mais diferentes morfologias craniofaciais, dificultando o estabelecimento de uma associação entre as características oclusais e a morfologia craniofacial analisada nas telerradiografias de perfil. Capelozza, através do estabelecimento da definição dos padrões faciais, lançou luz a uma questão importante sobre as evidências produzidas no tratamento da Classe II, visto que essa falta de associação direta dos aspectos cefalométricos no arcabouço dentário da má oclusão, pode gerar equívocos na interpretação dos resultados, especialmente se apenas aspectos dento-alveolares são levados em consideração na seleção das amostras.

Dessa forma, o tratamento deve ser planejado em função das características da má oclusão, ou seja, pelo grau de participação do posicionamento da maxila e/ou da mandíbula, especificamente no caso clínico a ser corrigido e seu sucesso será influenciado significativamente pelo protocolo de tratamento adotado, pela severidade das desarmonias, pela idade do paciente e seu grau de colaboração durante o tratamento.

Para a correção da má oclusão de Classe II existem inúmeros aparelhos e metodologias que podem envolver, ou não, extrações de dentes. E a depender da idade do paciente podem permitir o uso de abordagens puramente ortodônticas ou também ortopédicas. Além é claro, da cirurgia ortognática nos casos mais severos de discrepância.

Em geral, nos protocolos de tratamento que envolvem exodontias pode-se optar pela extração de 4 pré-molares ou apenas de dois pré-molares superiores, já nos casos sem extração, a depender das características e magnitude da má-oclusão, podem ser escolhidos aparelhos distalizadores, protratores ou elásticos intermaxilares.

Quando levamos em consideração a idade do paciente, as evidências sustentam a decisão de tratar em uma ou duas fases na presença de fatores de origem psicossociais como o bullying, no risco de trauma dentário e no contexto familiar. E atualmente somado a esses fatores, temos os distúrbios respiratórios do sono e a presença de alterações funcionais como o deslocamento de disco articular como adicionais importantes no processo decisório do momento de tratar.

Na má oclusão de Classe II subdivisão, existem aspectos peculiares de diagnóstico que precisam ser levados em consideração para se definir o protocolo de tratamento mais adequado, isto porque a intervenção deve ser realizada no segmento em que há o erro sagital, evitando modificações no arco oposto.

As evidências sobre o grau de estabilidade a longo prazo nos diferentes protocolos de tratamento para Classe II ainda são escassas. A literatura relata algum grau de recidiva, no entanto, os trabalhos são heterogêneos quanto as características iniciais da má oclusão bem como em relação aos protocolos de tratamentos utilizados. A experiência e habilidade do profissional pode ser ainda um componente adicional na obtenção de melhores resultados, o que em última análise também interfere na estabilidade do tratamento.

 
 
 

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